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Solução de LUGOL: Qual é a real necessidade?

Mineral fundamental para o bom funcionamento do organismo, o iodo atua diretamente na melhoria da função da tiroide atuando no crescimento físico e neurológico, na manutenção do fluxo normal de energia, no sistema digestivo, entre outras áreas e órgãos vitais fazendo com que o Lugol, medicamento do qual é o principal componente, seja propagado na internet como um santo remédio. Porém, o que nem todo mundo sabe é que ele representa sérios riscos à saúde quando mal utilizado.

Consequências da falta de iodo no organismo

Em adultos, os principais malefícios causados pela falta de iodo no organismo estão o bócio, doença que causa o aumento da glândula da tireoide, e o hipotireoidismo. Nos casos mais graves pode ocorrer atraso mental, cretinismo e aumento da mortalidade neonatal e infantil são as consequências mais comuns entre as crianças.

Além disso, a deficiência de iodo a longo prazo pode ser causa também de câncer de tireoide, de ovário, de mama, por exemplo. Infelizmente, o corpo humano não produz naturalmente essa substância, sendo essencial que seja adquirido a partir da alimentação.

Onde encontrar?

Está presente em grandes quantidades tanto em plantas quanto em animais marinhos, incluindo Marisco, peixe branco de águas profundas, e nas Algas marrom, que podem absorver o iodo a partir da própria água do mar. Alho, Feijão, Acelga, Sementes de Gergelim, Soja, Nabo e Espinafre também são alimentos ricos nessa substância.

O Sal iodado é outra importante fonte, sendo acrescentados regularmente pelos padeiros a massa de pão como um agente de estabilização. Porém, seu uso irrestrito pode trazer diversos malefícios à saúde.

De quanto iodo o corpo precisa?

As recomendações da ingestão de iodo variam ao longo da vida e de acordo com cada caso. O ideal é procurar um profissional da saúde para observar se você tem algum problema na glândula tireoide. Assim, ele irá prescrever a quantidade correta de Lugol que você deve tomar para regular os hormônios tireoidianos.

Entretanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o consumo diário máximo de sal é de menos de cinco gramas por pessoa. Porém, o consumo médio do brasileiro está em 12 gramas diários, valor que ultrapassa o dobro do recomendado. Por isso, em 2013, uma determinação da ANVISA alterou a faixa de iodação do sal utilizado no Brasil reduzindo sua adição para 15 - 45 miligramas por quilo (mg/kg) de sal.

Malefícios do Iodo

Se faltam evidências para justificar o uso irrestrito, os malefícios estão mais do que comprovados. A ingestão excessiva de iodo pode trazer problemas, principalmente em pessoas que já possuem algum problema de tireoide, bem como taquicardia, palpitações cardíacas. Por isso, sempre siga a dosagem recomendada para seu caso.

Uma gota de Lugol, por exemplo, contém 6 mg de iodo, muito mais do que a quantia necessária para um adulto saudável. Aí, quem padece com a sobrecarga é a tireoide, já que o excesso de iodo pode provocar a inflamação autoimune ou até uma ação tóxica que leva à destruição dessa glândula. Já os seus efeitos colaterais incluem náuseas, vômitos, dores de estômago, diarreia, gosto metálico na boca, febre, cefaleia, corrimento nasal, espirros ou acne. 

Isso sem contar que este produto pode conter ingredientes inativos, que causam reações alérgicas ou outros problemas, não devendo ser utilizado mediante determinadas condições médicas. Por isso, antes de tomar este medicamento, informe o seu médico se tem alergia ao iodo, iodeto de potássio ou quaisquer outras alergias, bronquite, condições de pele ou doença dos vasos sanguíneos e entregue a ele seu histórico médico, especialmente se você apresenta problemas de tireoide, doença cardíaca, tuberculose, níveis elevados de potássio no sangue, Doença de Addison, entre outros.

Lembre-se que o Lugol é um medicamento, ou seja, primeiro consulte seu médico para saber a real necessidade e, se for o caso, solicite sempre uma prescrição médica.